Pode ir entrando que a patifaria hoje vai ser da boa...

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Sexta-feira, Novembro 24, 2006



SÓ PARA SABER

Você já teve vontade de pegar uma melancia bem grande, cortar em duas e enfiar uma das metades na cabeça de alguém? E depois ficar apertando, até encaixar direitinho?

Eu já.



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Terça-feira, Novembro 21, 2006



SHORT QUESTIONS
Ao senhor Molusco


Senhor Presidente, eu sei que o senhor está sendo implacavelmente perseguido pela imprensa, que, a serviço da elite sanguessuga, a todo momento inventa inverdades a seu respeito.

Eu sei que o senhor está cercado por um séquito ultra competente de auxiliares, todos eles absolutamente inteirados a respeito do que se passa ao nosso redor. E que, se eles afirmam que não sabiam de nada, é porque nada havia.

Acontece que ontem eu tive um compromisso de trabalho em Vitória. Precisei pegar um avião para chegar lá e outro para voltar. E acontece que eles atrasaram. Muito. E nem estava chovendo, veja que coisa.

Acontece também que fui colocada para passear dentro de um desses ônibus que levam a gente até o avião. Uma hora depois, quando fui desembarcada na sala de embarque do mesmo aeroporto onde eu estava uma hora antes, veja que milagre aconteceu: o meu vôo tinha desaprecido do painel da Infraero! Só pode ser um milagre, não é mesmo??? Achando que a culpa só poderia ser de alguma substância alucinógena que me havia sido administrada dentro do tal ônibus ou que eu subitamente tinha perdido a capacidade de decodificar sinais da língua escrita (como o senhor, veja só que bacana), fui falar com a pobre funcionária da companhia aérea. Sabe o que ela me disse???? Que a Infraero estava fazendo isso mesmo: autorizando as decolagens, mandando as empresas colocarem os passageiros para passear e no último momento, cancelando as decolagens. Assim, eles podiam sumir com os vôos do painel e a fofoqueira imprensa lá fora não ficava sabendo dos atrasos nem da superlotação lá dentro.

Que mocinha fofoqueira, não é mesmo? Só pode ser tudo mentira dela... os seus ajudantes não teriam coragem de fazer isso com as pessoas que precisam viajar, tenho certeza!

Então, ficam aqui algumas pergunta básica para o senhor: o que esta acontecendo? O que eu vi ontem foi uma alucinação? Na verdade eu cheguei em casa às 9 da noite e não às 2 da manhã?

Nós, a "elite" que viaja de avião e que não vota no senhor fomos colocados de castigo pela indisciplina?

Foi preciso que mais de 100 pessoas morressem para que o senhor percebesse que algo de podre acontecia nas torres de controle? O senhor não lê jornal? Porque eu leio, e já sabia que algo de podre acontecia nas torres de controle... mas pode ser tudo perseguição, não é mesmo?

E finalmente: porque o senhor teve dinheiro para contratar não-sei-quantas-mil pessoas do seu partido para "cargos de confiança" e não tinha verba para contratar menos de cem controladores?

Muitas dúvidas...



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Terça-feira, Novembro 07, 2006



SHORT CUTS - ESPECIAL ELEIÇÕES USA

Ela nasceu no Bronx. Saiu de lá, e tem muito orgulho disso tudo (por ter nascido no Bronx e por ter saído dele sozinha).
Ele nasceu em Manhattan. Continua em Manhattan e não vai sair de lá tão cedo.

Cada um vota em seu distrito de origem. Mas vão juntos, um fazendo companhia para o outro.

Primeiro vão ao Bronx, é mais longe. Ela vota em dez segundos, ele fica um pouco passado com a precariedade do local.

Depois, voltam para Manhattan. O local é lindo. Ambos ficam deslumbrados com a beleza do posto eleitoral e comentam sobre as diferenças sociais.

Ele faz graça: Reparou que no Bronx tinha gente ajudando os eleitores na fila? Lá as pessoas precisam de auxílio, podem se perder com esse monte de números e siglas e candidatos... aqui só tem gente bonita-elegante-sincera... não precisa...

Ela nada fala.

Ele entra na cabine. Demora. Demora. Demoooooora.

Sai com cara de paisagem. Ela pergunta se deu tudo certo.

Ele confessa: Então... não consegui votar em um dos meus candidatos... eu não lembrava o número de jeito nenhum e não dava para pedir ajuda... acabei anulando...

Ela passa a mão na cabeça dele. E sorri.



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Quarta-feira, Novembro 01, 2006



SHORT CUTS

A paciente senta na maca.

Doutora, tiro os sapatos?

Ela dá uma olhada. Horrendos. Sorri.

Não, pode deitar.

Corte. Outra paciente. Que faz a mesma pergunta.

Ela já estava apaixonada pelos sapatos desde que a paciente entrou no consultório. Responde sorrindo.

Precisa, sim.

Discretamente, dá uma olhada para o interior do sapato e dá um discretíssimo sorriso. Agora ela já sabe de onde são... é fácil ter um igual.



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