Faça seu pedido!, ordena, sorridente, o robozinho do lado de lá.
Ele atende, prontamente: Eu quero um Cheddar. Sem Cheddar.
O robozinho do lado de lá não entende: Como assim, senhor?
Pacientemente o moço repete: Eu quero um Cheddar. Sem cheddar. E ainda desenha: Eu quero a carne do cheddar, a cebola do cheddar, o pão do cheddar... tudo do cheddar, menos o queijo cheddar!
Mas não adianta. O robozinho começa a emitir um cheiro de queimado...
Outro dia, levantei, respirei fundo, contei até três e me joguei dentro do meu armário.
Saí de lá de dentro com um volume considerável de coisas que eu não uso mais. Algumas foram ótimas compras (eram roupas bonitas e usei horrores, mas já não combinam mais comigo, ou ficaram grandes ou pequen demais - efeito sanfona é isso aí), outras foram péssimas aquisições e foram embora com a etiqueta da loja pendurada.
Mas o que interessa é que todas foram devidamente repassadas para pessoas que darão valor e poderão aproveitar o que eu não uso mais. E isso me trouxe uma sensação de alegria imensa. (Além de muito espaço vazio no armário e, portanto, a liberação para muitas novas comprinhas...)
não lembro o nome exato. Fo o documentário do Vinicius de Moraes.
Achei sensacional. O cara era uma figuraça, todo mundo sabe. O filme mostra a figuraça, é claro, mas mostra o angustiado, o surtado, o pai...
Imperdível.
Pois eu sei.
Chamei para mim o desafio de localizar as pessoas que estudaram comigo para promover o encontro de cinco anos de formatura.
Depois disso, o que sobra de tempo ocioso cerebral entre uma tarefa e outra tem sido gasto em elaborar estratégias de localização dos queridos que resolveram simplesmente sumir do mapa sem deixar vestígios.
Portanto, se você estudou comigo, ajude uma pobre psicopatinha. Deixe seu email aqui nos comentários que eu quero falar com você!
Eu odeio contatos forçados com completos estranhos que, às vezes, as pessoas se sentem obrigadas a ter, apenas por força da situação.
Exemplificando para deixar claro: vizinhos. Eu detesto a obrigação de ser amigo do vizinho. Concordo que as pessoas podem ficar amigas de seus vizinhos, mas só SE ELAS QUISEREM, e não só porque são suas vizinhas. A imagem de cidades do interior, com vizinhos sentados à porta, conversando em suas cadeiras de praia no final do dia, é a própria tradução do inferno pra mim.
Assim, morar em São Paulo, sozinha, passando a maior parte do tempo fora de casa, em um prédio de pessoas que passam a maior parte do tempo fora de casa me satisfaz muito nesse aspecto.
Porque, esses dias, tive que ir ao banco. Na minha frente, uma menina cuja cara não me era estranha. Olhei, mas não consegui lembrar de jeito nenhum de onde a conhecia.
No dia seguinte, entrei no elevador de casa e quem estava lá? A menina! Nos cumprimentamos do modo cordial e distante de sempre. O elevador parou no meu andar, ela desceu também. E abriu a porta do apartamento ao lado do meu!
Ou íeis! Ela é minha vizinha e eu não consegui reconhecê-la no banco! E nenhuma das duas mencionou o fato ao nos encontrarmos no dia seguinte! Ela também deve ser contra a obrigação de falar com os vizinhos (ou me achou tremendamente sem educação, mas aí o problema passa a ser todo dela)!
Eu adoro a megalópole feia, fétida e fria. A-DO-RO.
Tenho o maior orgulho do meu lado bagaceira, que não é nem um pouco tímido.
E ele me faz assistir, quase religiosamente, ao programa da Luciana Gimenez.
E cada dia mais eu acho que essa mulher é simplesmente ótema! Ela não se leva nem um pouco a sério e não tem nenhum pudor em pagar mico (está certo que, recebendo o salário dela, eu teria menos ainda) e essas são características que eu acho admiráveis.
Ah! E ela é lindíssima (gostando ou não dela, não tem como dizer que não), tem um figurino de babar e fala francês do jeito que eu gostaria de poder falar.
Nesse momento escrevo sentada em uma praça em uma aprazível cidade do interior de Minas Gerais.
Percebo uma movimentação ao meu redor. Viro para o lado. Vejo duas meninas de uns nove anos de idade paradas, olhando para mim. Dou o sorrisinho, como quem diz "pois não?"
As duas fofinhas falam: "nada, não, moça, a gente estava só olhando... a gente achou legal você ai, escrevendo"
Como diria a Ro: Mimosas!
updating mesmo antes de publicar Depois dela, teve um cidadão que teve a pachorra de parar atrás de mim e ficar espichando o olho pra tela. Agora foram três menininhos. Ficaram olhando até receberem um olhar de Xispa. Cansei da brincadeira.
Viagem de trabalho é um saco. No meu caso, eu fico muito mais horas a disposição que ficaria se fizesse o trabalho em São Paulo mesmo. Normalmente chego muito cedo às cidades, e saio muito tarde. Isso pode ser chato, muito chato ou malíssima. Para ficar na primeira alternativa, desenvolvi um método para aproveitar o tempo (tirando, é claro, o tradicional e conhecidíssimo levar o computador e ficar trabalhando enquanto espera):
Olha só: primeiro cumpro as tarefas chatas: retocar as luzes e o corte de cabelo, fazer as unhas e depilação. Isso poupa o meu precioso tempo na volta à megalópole. Fico com a sensação de ter aproveitado o tempo e não preciso brigar com a preguiça de tirar a bunda gorda da cadeira e andar duas quadras até o cabeleireiro mais próximo.
Cumpridas as tarefas básicas, me informo e passo para uma olhadinha nas ruas de comércio da cidade.
Com isso, descobri uma lojinha fantástica em Juiz de Fora, de uma estilista que está começando, e que já abasteceu meu guarda roupas com uns vestidinhos e uns tops maravilhosos (e de preço super bom); comprei umas saias muito bacanas em Vitória, um scarpin básico em Jaú...
Detalhe porém crucial: continuo me identificando, cada vez mais, com o lado fútil, viciado em moda e apaixonado por compras e sapatos da Carrie. Isso não mudou nada.
E acho que isso também é uma evolução.
Há cerca de dois, três anos, assisti pela primeira vez Sex and the City, completa, de uma vez só.
Na época, eu me identifiquei completamente com a Carrie, eu tinha a impressão que todas as falas, angústias e atitudes dela tinham sido escritas inspiradas na minha vida. Achava incrível como, lá longe, alguém poderia ter me adivinhado daquele jeito.
Pois então. Estou revendo tudo. Cheguei na quinta temporada e, cada vez mais, me sinto identificada com a Miranda. A ambiciosa, centrada, focada, auto suficiente, independente, prática e implicante. Muito implicante.
E estou achando que isso é uma evolução.