Confesso que tive preconceito contra os acessórios metalizados.
Confesso que falei que não, nunca, que eram fashion victim demais para o meu gosto.
Confesso que fiquei balançada ao ver os primeiros exemplares nas vitrines.
Confesso que não resisti e acabei comprando uma sandália, só para experimentar, um pequeno mimo ouro velho, meio retrô, uma coisinha.
Confesso que esse mesmo pequeno mimo combina com tudo o que eu tenho e que penso em usá-lo todas as vezes que me visto.
Finalmente, confesso que estou pensando em adquirir também uma bolsa ouro velho ou cobre (mas não para usar em conjunto com a sandália, não me julguem mal, por favor) e uma outra sandália, prata velho.
Eu já achava que essa história de ¿não me visto bem porque não tenho dinheiro¿ era conversa pra boi dormir.
Depois de descobrir as maravilhas da loja Renner do Shopping Center Norte, e de verificar que preços mais pop, impossível, eu tive certeza disso.
Na hora de se vestir, você se inspira.
Coloca uma calça marrom, fantástica, que cai super bem. Uma blusa verde água, meio folgada, moderna até o forro. A combinação fica excelente. Escolhe uma pulseira e uma argola dourado-fosco, uma sapatilha marrom, bolsa multicolorida-bordada-melhor-aquisição-de-todos-os-tempos e sai, se achando a garota Raia de Goeye em si.
Chaga toda linda toda tudo no trabalho. Quando seu chefinho lindo solta, daquele jeito meigo que só ele sabe: Nossa... hoje é dia da árvore??? Porque você se fantasiou de árvore, então???????
Não contente em ser bonita, linda e joiada na TV e nas fotos, a Sra. Big Boca ainda comete o grave delito de ser mais tudo isso ao vivo.
Não contente em ser muito melhor ao vivo, ela resolve passear toda a sua beleza, frescor e carisma na minha frente, enquanto eu, que não tenho nem um milésimo da beleza, lindeza e joaideza dela, porcamente devoro um sorvete de doce de leite.
Mas o tempo passa. E no dia seguinte, lá estou eu tentando derreter os excessos do Festival Pé na Jaca do final de semana. Corro como se não houvesse amanhã, o que me deixa com um aspecto, bem, digamos, cansado. Neste exato instante, como golpe final na minha já combalida auto estima, a referida Sra. Big Boca resolve passar ao meu lado, mais linda, mais loura, mais tudo, deslizando suavemente em seus patins, mascando seu chiclete e ouvindo seu Ipod. Percebo que a mesma tem em pernas (lisas, bronzeadas e lindas) mais ou menos o equivalente a metade da minha altura, e que minhas pernas (sem comentários) têm mais ou menos a metade do peso total da bela.
Neste momento, eu e minha companheira de infortúnio (ou de corrida, como queiram) pensamos seriamente em nos atirarmos no lago do parque, mas somos salvas por um outro companheiro, que nos faz desistir e seguir adiante, mesmo sabendo que algumas têm tudo, só pra elas...
A frase acima é uma das minhas preferidas, por encerrar uma grande verdade e ser completamente aplicável a diversas situações da vida, sejam elas boas ou ruins.
Sendo assim, após tomar diversas atitudes para tentar melhorar o mru tão azedo humor (tais como correr, cimprar algo, ligar pra MC...) e constatar que TODAS, absolutamente TODAS elas foram mal sucedidas, resolvi radicalizar.
Peguei umas fotos e fui olhar. Se você sai incrivelmente mal em todas as fotografias do universo, como eu saio, isso é um mauhumorístico-ativator dos bons. Se você tem milhares de fotos de momentos incríveis da sua vida, e fica pensando que eles já se foram, como eu fiz, isso é melhor ainda.
Mas você pode, também, ter bons momentos: perceber que o seu cabelo já teve diversas formas, tamanhos e cores e nenhuma combinação parece tão boa como a atual. Pode perceber, ainda, que seu corpo já teve diversas cores, formas e tamanhos e que a combinação atual se aproxima muito da de diversos anos atrás (melhor omitir o detalhe de quantos anos pro mau humor não voltar muito rápido).
Ou seja, a chafurdação não teve assim o resultado esperado, mas não se pode dizer que foi de todo mau...
Ela fica no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.
Apresenta-se mais especificamente no balcão da ponte aérea da Varig e prefere aparecer nos finais de tarde calorentos de sexta feira.
A condição ideal para o seu desenvolvimento é dada pelo clima: chuvas torrenciais no outro lado da ponte, em São Paulo, daquelas de colocar Congonhas em ritmo operação tartaruga.
Depois de passar por isso duas, digo DUAS vezes em menos de um mês, serei boazinha e nunca mais falo que quero ir pra o inferno, que lá deve ser mais divertido. Não é, não.
A coisa apertou de tal maneira que eu nem vi que mais de um mês se fue.
Nesse mês aconteceram umas várias viagens bizarras para lugares estranhos a trabalho, muito tronco, alguns prazos quase perdidos, alguns domingos e mdrugadas trabalhados e algumas coisas legais também...